Como resistir <br>ao obscurantismo «pós-moderno»
Reflectir sobre a necessidade da divulgação científica é cada vez mais uma questão mais importante; e mais sabendo-se quanto a divulgação científica está, em crescendo, a tornar-se imprescindível - dirão. Até pelo impacto da ciência e das suas aplicações, da tecnologia, na vida de cada um e de todos nós. Uma reflexão que poderá parecer um truísmo para os muitos ainda marcados pelo Iluminismo e pela Modernidade (a modernidade propriamente dita). Mas talvez não sejam tantos assim a afirmá-la. Muitos outros, e estes é que serão mesmo muitos - arrisco que serão a maioria -, não entendem o interesse de terem que saber coisas científicas. Acham estes outros que isto é coisa para os cientistas e quejandos profissionais.
Contudo, julgo saber que a quase totalidade dos putativos leitores deste texto são dos que estão convencidos da necessidade da divulgação científica, mas que, além disso, estão também convencidos que este seu convencimento está largamente adquirido pelas sociedades actuais - e isto independentemente do significado rigoroso da expressão divulgação científica, que, sabe-se, varia consoante as pessoas. O que grande parte - assim eu o creio - destes putativos leitores não pensará é que eles próprios farão parte de uma pequena minoria interessada em assuntos científicos e, por isso, cientes da sua importância em termos individuais e sociais.
A ser assim, deste facto deverá resultar uma conclusão inevitável: a da necessidade de elevar com decisão a consciência acerca do desconhecimento científico e correlato desinteresse existente por parte da maioria das pessoas, dizia, pois, a necessidade de elevar a consciência desta realidade pelo lado dos que assumem a sua importância e imprescindibilidade para a sua vida e para o viver das sociedades. Na realidade, estes devem entender bem que vivem lado a lado com quem não só não está interessado na Ciência como, em muitos casos, detém uma visão do mundo tão diferente da sua que a sua consciencialização deste facto os deixará, numa primeira fase, atónitos e, logo em seguida, com uma percepção aterradora quando ao isolamento na Sociedade das suas convicções acerca da bondade da Razão, do Iluminismo, do Conhecimento. Percepção que lhes será tanto mais estranha quanto estavam convencidos que, ao contrário daquilo que pensariam ser a existência ultraminoritária de uns quantos abencerragens em vias de extinção, se lhe revela agora constituir o mainstream, a corrente principal, das sociedades onde são imersos. É certo que para perceber o que vai por baixo das camadas de verniz reluzente e «pós-moderno» há que esgaravatar com persistência e com arte no pensamento e manifestações dos nossos concidadãos. Ora experimentem e verão os resultados.
A generalidade dessas pessoas não contestarão a realidade dos artefactos de toda a ordem, desde as máquinas de lavar aos automóveis e aos aviões, aos DVDs, aos telemóveis e aos computadores, dos remédios que compram nas farmácias e nas «grandes superfícies» às técnicas de cirurgia, para não falar já da quase naturalizada energia sob a forma eléctrica, enfim de tudo o que estando ausente lhes tornaria incompreensível a sua vida… Mas tudo isto são dados do mercado ambiente, como eram no ambiente natural as raízes, os frutos ou as presas animais caçadas no tempo dos caçadores-recolectores, um tempo agora de volta para grande parte de nós. Há os que fazem, os que sabem fazer, os tecnólogos, que em grande medida são os cientistas - isto da C&T, da confusão entre os conceitos de Ciência e Tecnologia, as pessoas adquiriram-no. Há, é certo, estes especialistas, mas, no entanto, em geral, para o resto da Sociedade são algo de lá longe. Eles é que têm de saber da Ciência, da Física, da Química, da Medicina, das Engenharias, das chatices da Matemática. A gente passa por estas coisas na escola, chateia-se, e isto não serva para nada, só para perder tempo. Mas é preciso ter os diplomas de habilitações para procurar um posto de trabalho, para subsistir menos mal…
Então, já que o esforço que se desenvolve nos sistemas de ensino, nomeadamente nos graus de ensino básico, não conseguiu, nem cá nem em todos as sociedades deste mundo classificadas como avançadas, alterar esta situação; quando, não obstante este e outros esforços, como sejam alguma divulgação científica mediática ou a existência de imensas obras escritas sobre temas de ciência para o público, de grande qualidade, não se consegue penetrar em amplíssimas camadas, então, que fazer?
Contudo, julgo saber que a quase totalidade dos putativos leitores deste texto são dos que estão convencidos da necessidade da divulgação científica, mas que, além disso, estão também convencidos que este seu convencimento está largamente adquirido pelas sociedades actuais - e isto independentemente do significado rigoroso da expressão divulgação científica, que, sabe-se, varia consoante as pessoas. O que grande parte - assim eu o creio - destes putativos leitores não pensará é que eles próprios farão parte de uma pequena minoria interessada em assuntos científicos e, por isso, cientes da sua importância em termos individuais e sociais.
A ser assim, deste facto deverá resultar uma conclusão inevitável: a da necessidade de elevar com decisão a consciência acerca do desconhecimento científico e correlato desinteresse existente por parte da maioria das pessoas, dizia, pois, a necessidade de elevar a consciência desta realidade pelo lado dos que assumem a sua importância e imprescindibilidade para a sua vida e para o viver das sociedades. Na realidade, estes devem entender bem que vivem lado a lado com quem não só não está interessado na Ciência como, em muitos casos, detém uma visão do mundo tão diferente da sua que a sua consciencialização deste facto os deixará, numa primeira fase, atónitos e, logo em seguida, com uma percepção aterradora quando ao isolamento na Sociedade das suas convicções acerca da bondade da Razão, do Iluminismo, do Conhecimento. Percepção que lhes será tanto mais estranha quanto estavam convencidos que, ao contrário daquilo que pensariam ser a existência ultraminoritária de uns quantos abencerragens em vias de extinção, se lhe revela agora constituir o mainstream, a corrente principal, das sociedades onde são imersos. É certo que para perceber o que vai por baixo das camadas de verniz reluzente e «pós-moderno» há que esgaravatar com persistência e com arte no pensamento e manifestações dos nossos concidadãos. Ora experimentem e verão os resultados.
A generalidade dessas pessoas não contestarão a realidade dos artefactos de toda a ordem, desde as máquinas de lavar aos automóveis e aos aviões, aos DVDs, aos telemóveis e aos computadores, dos remédios que compram nas farmácias e nas «grandes superfícies» às técnicas de cirurgia, para não falar já da quase naturalizada energia sob a forma eléctrica, enfim de tudo o que estando ausente lhes tornaria incompreensível a sua vida… Mas tudo isto são dados do mercado ambiente, como eram no ambiente natural as raízes, os frutos ou as presas animais caçadas no tempo dos caçadores-recolectores, um tempo agora de volta para grande parte de nós. Há os que fazem, os que sabem fazer, os tecnólogos, que em grande medida são os cientistas - isto da C&T, da confusão entre os conceitos de Ciência e Tecnologia, as pessoas adquiriram-no. Há, é certo, estes especialistas, mas, no entanto, em geral, para o resto da Sociedade são algo de lá longe. Eles é que têm de saber da Ciência, da Física, da Química, da Medicina, das Engenharias, das chatices da Matemática. A gente passa por estas coisas na escola, chateia-se, e isto não serva para nada, só para perder tempo. Mas é preciso ter os diplomas de habilitações para procurar um posto de trabalho, para subsistir menos mal…
Então, já que o esforço que se desenvolve nos sistemas de ensino, nomeadamente nos graus de ensino básico, não conseguiu, nem cá nem em todos as sociedades deste mundo classificadas como avançadas, alterar esta situação; quando, não obstante este e outros esforços, como sejam alguma divulgação científica mediática ou a existência de imensas obras escritas sobre temas de ciência para o público, de grande qualidade, não se consegue penetrar em amplíssimas camadas, então, que fazer?